Maio 22 2008

Já chorei por ter topado o dedão numa pedra,

Chorei por ter perdido a boleia, por deixar o gelado cair no chão,

por não querer dormir na casa dos outros.
Chorei por não entender porquê não podia ver a novela das oito,

por não saber que o leite quente queimava a língua,

chorei por não poder brincar no playground até tarde da noite.
Já chorei por causa de um filme dramático,

chorei quando ouvi aquele verso daquela música,

chorei de emoção ao recitar poemas em voz alta.

Já chorei ao tentar expor meus sentimentos,

chorei ao tentar explicar aos outros que tal coisa me magoava,

chorei quando precisei terminar uma relação,

chorei quando terminaram a nossa relação.
Já chorei de ódio, no meio da rua, pra todo mundo ver.

Já chorei no canto da cama, de costas pro mundo, pra ninguém me ver.

Já chorei com a almofada abafando meus gemidos,

já chorei com as mãos no rosto pra me esconder de vergonha,

já chorei sem querer chorar, apenas umas lágrimas correndo no rosto.
Já chorei ao me despedir no aeroporto,

já chorei ao reencontrar no aeroporto,

já chorei por ver alguém partir sem o meu consentimento.

Já chorei lendo passagens de livros,

já chorei vendo comerciais de tevê,

já chorei ao ouvir do outro lado da linha telefônica

aquela voz que nunca imaginaria ouvir.
Já chorei de dor, de angústia, de tristeza,

de desejo, de saudade, de revolta,

despretensiosamente.

Já chorei pra aliviar a tensão, a tesão e pra deixar leve o coração.
Chorei por falta de amor, companhia e carinho,

chorei por amar demais, por não caber no peito, transbordar.

Já chorei de desespero, chorei por me sentir sozinha,

por estar sozinha, cansada e abatida.
Já chorei ao contar uma história triste,

chorei ao me reconciliar com um amigo,

chorei ao ver alguém chorando.

Chorei por não me fazer entender,

chorei por achar que a vida é demais para mim,

chorei por achar a vida tão irrelevante quanto um sopro no ar.
Chorei por me fechar para o mundo,

chorei até soluçar, o corpo tremer, o peito estremecer.

Já chorei baixo, de fininho, sem ninguém perceber.

Chorei ao abrir meu coração,

chorei de emoção, pela intensidade do sentimento,

pela explosão de sensações.
Chorei ao ver uma criança apanhar,

ao ver pessoas mendigando por um naco do meu sanduíche,

chorei logo depois de tirar do corpo um casaco

e dar a um desabrigado.

Chorei por ver um(a) idoso(a) carente.

Chorei a ponto de me arrepiar, de deixar gosto amargo na boca.
Já chorei por me orgulhar,

chorei por perceber que sou capaz,

chorei por me sentir útil ao mundo.

Chorei por me sentir realizada, por ser reconhecida,

por me sentir viva - ainda que capengando -

neste mundo louco, confuso e insano.

publicado por simplesmentedetalhes às 20:58

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